A memória é um processo em que a informação é codificada, armazenada e recuperada. A memória relacionada a musculatura pode fazer com que em pessoas treinadas os períodos de destreino, sejam facilmente revertidos apresentando uma recuperação mais rápida e eficiente da musculatura.
Estudos apontam que a memória muscular no músculo de pessoas que já tiveram processo de hipertrofia (aumento) muscular existe e faz com que a fibra muscular se recupere de forma mais rápida.
Além disso, músculos previamente ativos têm maior facilidade e agilidade no ganho de força e volume muscular quando comparados aos que nunca realizaram nenhum tipo de exercício. Estudos relacionam essa memória à ação do sistema nervoso central, à aprendizagem motora e mudança epigenética.
Células Satélites
Os músculos são formados por células satélites e possuem capacidade de readaptação e memória muscular. Essas células são responsáveis pelo miogênese – crescimento muscular, manutenção e reparo das fibras musculares, tendo esse nome devido sua localização anatômica.
Em músculos não treinados: as fibras musculares que não tiveram contato com o treinamento, quando treinadas recrutam os mionúcleos de células satélites que existem em fibras musculares que já tiveram contato prévio com o treino. Esses são provenientes da migração, fusão e diferenciação das células satélites a partir de um determinado nível de hipertrofia, e surgem para facilitar a síntese proteica.
Os mionúcleos são protegidos contra a atividade apoptótica. Um ponto importante é que os estudos relatam que podem aumentar a partir de um crescimento que varia entre 17 a 36% do citoplasma e têm duração de dois, ou até como uma forma de apresentação permanente dependendo da individualidade biológica da pessoa.
Em músculos treinados: Há uma relação proporcional entre a quantidade de mionúcleos e o processo de hipertrofia. As fibras com maior quantidade crescem mais rapidamente quando submetidas à treinamento. A ciência sugere que quando uma pessoa destreinada voltar a treinar tem maior facilidade para ganhar volume muscular devido ao processo de proliferação e fusão das células satélites.
A maior compreensão do fisioterapeuta na teoria muscular auxilia e embasa a conduta fisioterapêutica do seu paciente seja ele acamado ou um atleta em pós-operatório.
Quer aprender sobre essa técnica? Clique na imagem e veja o conteúdo completo do Curso
PRESENCIAL:
Referências:
Bruusgaard, J.C.; et al. Myonuclei acquired by overload exercise precede hypertrophy and are not lost on detraining. 2010.
Gundersen, K. Muscle memory and a new cellular model for muscle atrophy and hypertrophy. Journal of experimental biology. 235-242. 2016. – Liu, Q.; et al. Muscle Memory. J Physiol. p. 775-776. 2011.
Lee H , Kim K , Kim B , et al. A cellular mechanism of muscle memory facilitates mitochondrial remodelling following resistance training. J. Physiol . 2018
Liu, Q.; et al. Muscle Memory. J Physiol. 2011
Mujika I.; et al. Muscular characteristics of detraining in humans. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2001 Aug;33(8):1297-303.
Criação: Gabriela Marciano, Fisioterapeuta da Clínica La Posture
Juliana Satake, Fisioterapeuta Sócia da Clínica La Posture